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jueves, 14 de octubre de 2010

La portada del nuevo libro de Elías Moro


Ésta es la hermosísima portada que lucirá el nuevo libro de Elías Moro. La editorial Calambur será quien publique El juego de la taba, un conjunto misceláneo lleno de talento y sensibilidad. Dentro de muy poco tiempo llegará a las librerías. Los lectores de Elías (que, con toda justicia, cada vez son más) están de suerte.
Enhorabuena, amigo.

sábado, 2 de octubre de 2010

Ruy Ventura escribe sobre "Teorias da ordem"

Hace algo más de un año, presentamos en el Instituto Cervantes de Lisboa Teorias da ordem, la antología que tan generosamente me publicó en Portugal Jose Carlos Marques, el director de Edições Sempre-em-pé. Pues bien, hoy Ruy Ventura (que es quien realizó la traducción al portugués) ha tenido la amabilidad de colgar en su blog el texto que utilizó para la presentación y que transcribo seguidamente. Gracias una vez más, Ruy.

SOBRE A POESIA
DE JOSÉ MARÍA CUMBREÑO
(revista Triplov de Artes, Religiões e Ciências - nova série, nº 8/9, 2010)


Num interessante e descomprometido ensaio, publicado no México em 2006 [UNICACH, Chiapas], o poeta Luis Arturo Guichard observou em Espanha algumas linhas de força que vêm dando forma e conteúdo à sua poesia recente. Com sábia ironia, chegou à conclusão de que no mar poético da pátria de Cervantes desaguam águas de um “culteranismo temperado” e de uma “confusa experiência”, lado a lado com “assomos de infinito”, indecisas “vanguardas” e o recorrente “peso da tradição”. Navegando por todas estas linhas de água, acaba por concluir que, na actualidade, se vem esbatendo a confrontação sectária entre estas posições estéticas: “os cultos e herméticos novíssimos parecem aproximar-se cada vez mais da experiência quotidiana e de discursos menos espalhafatosos e os experienciais, mais ou menos continuadores da poesia civil e coloquial, chegam-se cada vez mais à pesquisa da linguagem e ao poema pelo poema. Entre uns e outros, os matizes são variados e saudáveis: não falta felizmente o humor, nem tampouco aventuras alicerçadas na mística ou na filosofia. A luta entre as escolas, que nalguns momentos chegou a ser bastante sectária, deu lugar a poetas que escrevem livremente.” (p. 113, tradução nossa). Assim se vem fazendo o caminho Hacia el equilibrio, expressão escolhida aliás pelo autor para nomear a sua abordagem.

José María Cumbreño, entendendo bem o quanto é benéfico este equilíbrio para a Arte nascida das palavras em direcção ao Verbo, vem produzindo desde o fecho do século XX uma poesia que corporiza bem uma linha estética que sabe fermentar todos os frutos de um passado poliédrico (por vezes contraditório e conflitual) para deles destilar o melhor néctar. Tem consciência de cumprir um papel determinante na corrida de estafetas que é a literatura, servindo de correia de transmissão num movimento incessante, não negando a recepção do testemunho, de modo a poder entregá-lo melhorado aos vindouros, como desejava Miguel Torga. Dito doutro modo, o autor de Estrategias y Métodos para la Composición de Rompecabezas, sabe que não pode parar a construção da “Cerca de Pedra”: “O meu avô pôs uma pedra / sobre a pedra / que havia posto seu pai. // O meu pai pôs uma pedra / sobre a pedra / que havia posto meu avô. // Limite. Fronteira. // Eu tenho uma pedra na mão” (pp. 19 e 21). E é com essa “pedra na mão” – pedra angular na construção de um edifício que já conta com vários títulos – que Cumbreño se apresenta numa obra encadeada, coerente, porque “A semente que se planta num poema germina no poema seguinte” (p. 45).

Ao denominar Teorias da Ordem a sua antologia publicada em Portugal, José María Cumbreño quis sintetizar a sua poética. Separando a narrativa da poesia, ao afirmar que “Os romances [se] escrevem […] com a mão direita” e os poemas “com a esquerda” (p. 85), aproxima quem escreve da figura de Penélope, que “não tecia e destecia: / tecia para destecer” (p. 107). Neste jogo constante de elevação e fracasso, de construção e demolição, obriga-se a reconhecer que “O destino da poesia é a linguagem matemática, cheia de limites, equidistâncias e incógnitas por resolver” (p. 59). Tal como acontece na pintura, o mundo representado ao longo dos versos (se algo neles se representa) interessa pouco ou nada, uma vez que “A maneira de pintar / é o próprio quadro” (p. 15). O papel do leitor não se pode separar assim da surpresa e da perplexidade; se o poema se confunde com o “quebra-cabeças”, o seu sentido, “em condições normais / de pressão e temperatura, / […] traz[-nos] / não o que pouco a pouco / se vai demonstrando, / mas aquilo que os intervalos não demonstram” (p. 19). E se um texto parece transparente, claro, não nos esqueçamos de que a sua essência não andará longe da de um “copo”, que nunca terá “transparência”, mas apenas imitação da do “líquido que contém” (p. 21). Entre partir e ficar, entre “tecer” e “destecer”, o texto escrito por intermédio do poeta torna-se operativo, “obra” modificadora, ao agir sobre o mundo, mesmo que indirectamente. Se “A luz, à medida que a vidraça / a ia filtrando, / [se] convertia[…] em palavra de Deus” (p. 109), cabe ao escrevente “Reciclar, reutilizar, recuperar” e, sobretudo, “Escorar, restaurar, reforçar” (p. 109). Dois triângulos verbais que – apontando para a escrita incessante praticada por um ser que (não recusando Ulisses e o seu movimento linear) se revê sobretudo em Penélope e no seu movimento de eterno retorno, rumo ao júbilo final – acabam por assumir que são essas “fórmulas matemáticas”, esses “quebra-cabeças”, esses poemas, a “[definirem] as proporções da utopia” (p. 111).

Se “Muito da feitura do mundo […] consiste […] em separar e reunir; por um lado, em dividir totalidades em partes […], traçar distinções; por outro lado, em compor totalidades […] a partir de partes […] e fazer ligações” – como escreve Nelson Goodman em Modos de Fazer Mundos (1978) – (ou seja, em “Reciclar, reutilizar, recuperar” quanto nos rodeia através da palavra), José María Cumbreño tem consciência na sua poética de que os poemas não são a vida, mas substitutos da vida, porque a “ordem” (a estética) que pretende teorizar é “combinatória e fábula, / inventa-se. / É um mecanismo de ficção / que, por sua vez, cria ficções”, urdindo “redes imaginárias / que pescam vidas reais” (p. 71). Para este escritor nascido na Extremadura espanhola, o poema (o verdadeiro, aquele que não é apenas mero empilhamento de versos com maior ou menor devoção epigonal) será sempre “o resultado da multiplicação do silêncio por si mesmo” (p. 91), ou – como defende o poeta americano neo-surrealista Andrew Joron – a viagem do grito ao zero, ao nada, ao intangível e ao impronunciável.

A leitura da produção de José María Cumbreño pode provocar em nós uma sensação de estranheza. Se por vezes nos deparamos com alguns textos aparentemente próximos da produção dalguns radicais do neo-naturalismo, logo ao seu lado surgem outros cuja pseudonarratividade é matizada por imagens heteróclitas, distantes do mundo observável e representável, ombreando com poemas cujo motor parece ser a reflexão filosófica ou metaliterária, dando por vezes origem a sentenças, aforismos e/ou “greguerías”. Num mesmo livro podemos colher ecos remotos e olhares próximos de nós no tempo (inclusivé com conotação política), frases coloquiais e expressões cuja raiz se afasta da comunicação diária entre seres humanos sem literatura. Chegamos a ter a sensação de estar na presença de antologias de vários poetas que, por motivos desconhecidos, assinaram todos com a mesma designação autoral.

São assim os frutos da sua poesia feita de equilíbrios, por isso mesmo funâmbula, que ora se aproxima ora se afasta das várias tendências estéticas correntes entre os seus compatriotas produtores de versos. E isso mesmo a torna tão interessante, na sua falsa incoerência, produtora de uma diversidade que pode desorientar os leitores mais habituados à monotonia, mas satisfaz quantos não viajam apenas pelas auto-estradas, mas se aventuram por caminhos pouco frequentados, procurando autores heréticos em relação aos dogmas estabelecidos pelos Romas que tudo nivelam por baixo (como bem retratou Eça de Queirós no seu romance A Capital).

Nascido em 1972 na cidade de Cáceres, onde ainda hoje reside, com textos espalhados por várias revistas e poesia (em verso ou em prosa) publicada em livros como Las ciudades de la llanura (Editora Regional de Extremadura, 2000), Árboles sin sombra (Algaida, 2003), De los espacios cerrados (Fundación José Manuel Lara, 2006), Estrategias y métodos para la composición de rompecabezas (El Bardo, 2008) e Diccionario de dudas (Calambur, 2009) ou na antologia Teorias da Ordem (Edições Sempre-em-Pé, 2009), José María Cumbreño é uma das vozes que mais me interessam na poesia espanhola dos nossos dias. Feita de fragmentos de seres, de espaços e de memórias, que se combinam de forma por vezes inusitada, sem esconder o seu carácter de estilhaços e de escombros provenientes de uma catástrofe verbal, logo existencial, a sua poesia interpela-nos e inquieta-nos com uma ironia discreta, matizada pela nostalgia de quem vê o mundo por um espelho retrovisor. Porque, num mundo como o nosso, é preciso ter a coragem de “Beber de um copo partido. / Acalmar a sede, mesmo com o risco de conhecer a ferida” (p. 73). Porque, mais tarde ou mais cedo, os estilhaços provocados pela catástrofe chegarão ao coração.


NOTA: Todas as citações transcritas foram retiradas da antologia Teorias da Ordem, publicada em Junho de 2008 pelas Edições Sempre-em-Pé (Águas Santas), com tradução nossa a partir do espanhol. Os poemas de José María Cumbreño aqui publicados são traduções inéditas a partir do poemário Diccionario de Dudas (Calambur, 2009).


http://ruyventura.blogspot.com/2010/10/sobre-poesia-de-jose-maria-cumbreno.html

jueves, 30 de septiembre de 2010

Una antología en La isla de Siltolá


Anoche me llamó por teléfono Javier Sánchez Menéndez, el director de La isla de Siltolá, para contarme que, antes del próximo verano, aparecerá en su editorial la antología de un servidor en la que se hace un repaso (y, en algunos casos, revisión) de la poesía que he perpetrado desde 1998.
No puedo negar que estoy loco de contento. La parte por el todo (ése es el título de la antología) tendrá la suerte de publicarse en una editorial de la que me confieso enamorado.
Como niño con zapatos nuevos.
Muchísimas gracias por la confianza, Javier.

lunes, 6 de septiembre de 2010

Objetos



EL RETROVISOR

A pesar de su tamaño, es el más cruel de los espejos. O el más sincero, según se mire. Su principal utilidad no es reflejar el rostro de quien lo contempla, sino mostrarle insistentemente, al tiempo que cree que avanza, lo que ha dejado atrás.


II

RELOJ

Mecanismo que produce un movimiento circular, continuo y uniforme al que por convención se asigna la capacidad de señalar de forma exacta todo lo que el tiempo no es.

III

LA HUCHA

Alcancía que se emplea para guardar dinero. Las de toda la vida estaban hechas de barro y tenían forma de cerdito. Poseen una sola hendidura por donde se introducen las monedas. Al llegar el ser humano a determinada edad la reemplaza por una libreta de ahorros en cualquier banco. Bueno, una o más de una. Sólo rompiéndola es posible recuperar lo que se mete en ella.

No hay otra forma.

Ni entonces ni ahora.


LA PEONZA

Juguete de madera del tamaño de un huevo. Posee una punta sobre la que gira merced al impulso producido por el latigazo de una cuerda que, previamente, se ha enrollado a su alrededor. La gracia radica en lograr que la peonza esté dando vueltas el mayor tiempo posible.

Con la práctica se adquiere cierta habilidad.

Pero no tanta como para impedir que al final se detenga.



CELOSÍA

Enrejado de listones de madera que, al igual que la memoria, los sueños y los libros, permite ver a través de él sin ser visto.


MONEDAS

Piezas redondas de metal (precioso o no) en las que se imprime la imagen del soberano o el símbolo del estado en cuyo nombre se acuñan y que sirven para designar el valor de las cosas.

De todas las cosas.

Lo que quizá explique que, de vez en cuando, algunas aparezcan en los bolsillos de los abrigos que llevamos años sin ponernos.

Aunque nosotros no recordemos haberlas dejado allí.


EL COLADOR

La mujer del pescador cuela el agua antes de beberla para no soñar por la noche con tempestades y naufragios.


EL ANILLO

Aro que se lleva en los dedos de la mano, sobre todo para adornarlos.

Ponérselo resulta fácil.

Quitárselo no tanto.


LLAVE

Instrumento que abre o cierra una puerta.

En plural (las llaves) hace referencia a las de casa.

Dos juegos.

Quedamos en que te pasarías a recoger tus cosas cuando yo no estuviese.

Avísame antes.

Y que luego me las dejarías encima de la mesa.


YOYÓ

Metáfora infantil de la soledad.


EL CENICERO

Recipiente donde se depositan la ceniza y los restos del cigarro.

Yo no fumo.

Lo que no impide que en casa tenga unos cuantos.

Recuerdo de Torremolinos.

Me gustaba verlos llenos de colillas manchadas de carmín.


LOS PENDIENTES

Sólo te ponías uno.

El otro me lo diste.

Es una turquesa auténtica.

Ayer me lo encontré por casualidad en el cajón de la mesilla de noche. Entre tus cartas.

Me costó recordar de qué color tenías los ojos.


BOYAS

Mi padre me las hacía con los tapones de corcho.

Luego se pintaban.

¿Lo ves, Jose? El sedal se mete por aquí.

A mí me gustaban más que las de las tiendas.

Mucho más.


EL TENTETIESO

Muñeco en cuya base lleva oculto un contrapeso, de tal manera que, por mucho que se intente tumbarlo, vuelve una y otra vez a quedar de pie.

Una y otra vez.

A mí me regalaron uno con forma de payaso. Como ocurre con cualquier niño, me aburrí a los dos días. Lo que dura la novedad.

No lo vi más. Acabaría en el trastero, mezclado con el resto de juguetes viejos. O en la basura.

En cambio, últimamente no dejo de acordarme de él.

Tenía pintadas una flor enorme y una bocina.

Yo lo empujaba para que se cayese.

Él se levantaba y me sonreía.

Una y otra vez.


LÁPIZ

Barra de grafito que se introduce en un cilindro de madera y cuya principal utilidad es escribir o dibujar.

Es frecuente emplearlo para iniciarse en el manejo de las primeras letras.

No obstante, hay personas que, por muy habituadas que estén al bolígrafo o la pluma estilográfica, lo prefieren cuando escriben ciertas cosas, fundamentalmente nombres de otras personas.

Al fin y al cabo, lo que se anota con un lápiz, llegado un momento, siempre se puede borrar.


DEDAL

Y cree quien cose que con él evitará pincharse.


RED

Aparejo en el que, en ocasiones, entre el resto del pescado, queda atrapado alguno de esos peces ciegos que vive en los abismos.


RUEDA

Del latín rota.

Principio de la insatisfacción humana.

Véase huir.

Consecuencia y origen de la constante melancolía de los hombres por no estar en otra parte.


LA COMETA

Un antiguo emblema oriental sentencia que quien consigue hacerla volar se conoce mejor a sí mismo, pues la cometa ni se entrega por completo al viento ni abandona del todo el suelo.


VASO

1

El vaso no es la transparencia: imita la del líquido que contiene.

2

Pero incluso el agua más pura adopta la forma del recipiente.

3

De ahí que, después de beber, lo mejor sea romper el vaso contra el suelo.


CAMA

Mueble donde el niño sueña, el joven fantasea, el adulto duerme y el viejo recuerda.


MALETAS

Cada vez que tengo que hacer la maleta, me sorprendo doblando la ropa tal y como tú me enseñaste.


(De De los espacios cerrados, Fundación José Manuel Lara, 2006)

jueves, 2 de septiembre de 2010

Dos nuevos libros de Julián Rodríguez


El trece de septiembre verán la luz dos nuevos libros de Julián Rodríguez, en este caso en la prestigiosa editorial Errata Naturae.
De mi admiración por la obra de Julián Rodríguez ya he hablado varias veces en este blog. Pero no me parece que esté de más volver a insistir en el lujo que para Extremadura representa contar con un escritor (y editor) como él. Lo suyo es puro cosmopolitismo. Literatura moderna y actual que, sin embargo, usa materiales sacados de lo más cercano.
Enhorabuena, Julián.

miércoles, 1 de septiembre de 2010

El imán y la sed

La sed parece una invención del agua.

El imán duda de sí mismo.

Por lo que a mí respecta, no sé

si escribir es una forma

de complicarme la vida

o simplemente confundo la soledad

con mi miedo a estar solo.


(De Genealogías, en prensa)

sábado, 28 de agosto de 2010

Identidad

Durante años, la ropa que me he puesto la he heredado de mi hermano mayor.

Mi nombre me lo pusieron por mi abuelo.

El primer coche que conduje era de segunda mano.

La primera mujer que me besó ya había besado a otros.

La casa en la que vivo es de alquiler.

Todo lo que escriba ya lo habrá escrito alguien mucho antes y mucho mejor.

El hermano de mi hija no es hijo mío.

Su padre hace como si no lo fuera y quien no es su padre se esfuerza por aprender a serlo.

(De Genealogías, en prensa)

lunes, 16 de agosto de 2010

Nuevos títulos de la colección Cosmopoética


La colección Cosmopoética acaba de publicar un puñado de nuevos títulos. Al igual que el resto del catálogo, son sencillamente espléndidos. Un continente de lujo para contenidos de primera. Felicidades, una vez más, a sus directores y a los miembros de la candidatura de Córdoba 2016. Sólo por una colección como ésta, ya se merecen ser capital europea de la cultura.

http://www.juanmairena.com/